Em defesa da meritocracia e qualidade no ensino


Após a leitura deste post http://www.pinceladasdaweb.com.br/blog/2009/09/21/a-qualidade-do-ensino-superior-no-brasil , considerei comentar no próprio blog do autor, mas acabei por falar um pouco sobre a minha própria experiência e ponto de vista, ele  atingiu o tamanho de post achei melhor publicá-lo aqui no blog do Fred.

No post, para aqueles que não o leram, o Pedro Rogério relata a sua situação, alguém que, mesmo tendo um conhecimento profundo e amadurecido na área do web design, mesmo sendo já um profissional reconhecido no mercado, procura uma instituição de nível superior para obter um “canudo”, porque grande parte das empresas exige um. E ele se depara com o despreparo de alguns professores. Enfim, uma situação recorrente no mercado de cursos de tecnologia em função do ciclo vicioso que se cria pois, este professores possivelmente foram alunos de outros do mesmo nível.

Tem um amigo meu que era gerente de infra em uma empresa que atendemos e ele tem formação em administração de Redes e admitiu, irritado, que não havia aprendido quase nada na faculdade e que havia poucos professores com o nível de conhecimento necessário. Teve que bater cabeça sozinho e se virar nos 30 para encarar o mercado de trabalho.

Já ouvi falar de casos, como o relatado pelo Pedro sem seu blog, em que o professor não domina os conceitos ao ponto de ser capaz de ilustrá-los e ou aplicá-los sem o uso de uma ferramenta específica como SQLServer da Microsoft ou DreamWeaver da Adobe. É como usar uma calculadora para ensinar matemática. Ensinam como ser especialista em um determinado produto ou ferramenta e não a ter domínio sobre a matéria em questão. Eu pessoalmente conheço profissionais que são IT Manager ou algum nome pomposo assim, que lecionam em faculdades particulares e afirmo pelo que pude observar que não estão aptos a fazê-lo e  o faz muito mais pela vaidade própria e a carência de profissionais mais bem preparados do que pela competência.

Estou neste mercado há cerca de 20 anos. Embora eu tenha freqüentado um curso técnico de eletrônica há muitos anos atrás, todo o meu desenvolvimento nesta área foi por conta própria. Já programei de assembler MOS 65xx, Zilog Z80 e Intel x86 a linguagens como C/C++, Pascal, Java, php e Python. Vi este mercado crescer e amadurecer e, ao longo do processo, fui assimilando e dominando o que de novo surgisse. Consumindo toda informação disponível. Hoje sou sócio de uma empresa e é bem provável que se eu precisasse procurar emprego fatalmente eu seria barrado em um processo seletivo por  falta de formação acadêmica.

Por outro lado, digo que a cultura de negócio no nosso país também influencia muito. Por exemplo, há algum tempo atrás antes de me associar à minha empresa, eu fui sondado por uma headhunter de uma popular multinacional de tecnologia para contratação imediata e, mesmo deixando claro desde o início que eu não possuía formação acadêmica ela persistiu, e só desistiu quando eu disse que embora eu leia e escreva e até entenda com certa facilidade, eu não sou fluente em inglês.

Vale também lembrar também que empresas importantes na área de tecnologia da informação como a Oracle, a Microsoft e a Apple nasceram e cresceram com a colaboração, iniciativa e capacidade de pessoas sem formação acadêmica.

Pra finalizar, digo que não desprezo a formação acadêmica de forma alguma mas penso também que ela, por si só, não deve ser critério para avaliar um profissional nesta área, principalmente se for levado em conta o baixo nível de algumas instituições no nosso país. Em minha opinião o mercado de informática como um todo é meritocrático e tem muita gente boa de serviço sem “canudo” atuando nele e bem posicionada. Mas por ser a formação acadêmica um investimento pessoal antes de tudo, acho que o MEC tem o dever de melhor fiscalizar e avaliar as instituições de ensino superior porque se desconsiderarmos pessoas como o próprio Pedro Rogério e outros que se preparam, buscam e têm real interesse pelo conhecimento, estão inundando o mercado com profissionais que não estão devidamente preparados e que, em alguns casos, tornam-se professores. A impressão que eu tenho é que o governo sabe que isso acontece mas prefere permitir se produzir formados em nível superior a toque de caixa para fazer número. Assim como a escola plural que estatisticamente reduz o índice de reprovação e melhora a qualidade do ensino fundamental.  Estatisticamente eu disse! Porque na prática o que vemos no dia a dia é de causar imensa preocupação quanto ao nosso futuro.  Nos fóruns, listas de discussão, comentários de matérias em sites de notícias e redes sociais, o nível de conhecimento geral e o domínio do português com que me deparo é algo horripilante!

Saudações as todos!

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